A duas árvores

14/12/2023

Amada, olha em teu próprio coração,
A árvore sagrada lá está crescendo;
Da alegria os galhos sagrados partem
E carregam todas as flores trêmulas.
As mutáveis cores de seus frutos
Têm dotado as estrelas com luz alegre;
A segurança de sua raiz oculta
Plantou-se quieta na noite;
O movimento de sua copa cheia de folhas
Deu às ondas sua melodia
E casou meus lábios com a música,
Murmurando a ti uma canção de mago.
Lá, o amor percorre um círculo,
O círculo flamejante de nossos dias,
Girando, movendo-se, indo e vindo
Naqueles grandes e ignorantes caminhos de folhas;
Lembrando todo aquele cabelo agitado
E como as sandálias aladas se precipitam,
Teus olhos crescem cheios de ternura:
Amada, olha em teu próprio coração.

Não olhes mais no vidro amargo
Os demônios, com sutil astúcia,
O levantam à nossa frente quando passam,
Ou apenas olha rapidamente;
Pois, lá, cresce uma imagem fatal
Que a noite tempestuosa recebe,
Raízes meio recônditas na neve,
Ramos quebrados e folhas enegrecidas:
Todas as coisas se tornam esterilidade
No vidro sombrio que os demônios sustentam,
O vidro do enfado exterior,
Feito quando Deus dormia em tempos antigos.
Lá, através dos galhos quebrados, vão
Os corvos de pensamento incessante;
Voando, chorando, indo e vindo,
Garra cruel e garganta faminta,
Ou, ainda, eles se levantam e inalam o vento
E sacodem suas asas esfarrapadas; infelizmente!
Teus olhos ternos se tornam totalmente severos:
Não olhes mais no vidro amargo